Caso Banco Master: Toffoli designa peritos da PF sem consulta à corporação

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou a decisão de designar diretamente peritos da Polícia Federal para atuar na análise do material apreendido na Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master. A medida foi adotada sem consulta prévia à cúpula da corporação.

FOLHA EXTREMO SUL BA

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De acordo com a decisão, quatro peritos da PF foram indicados nominalmente pelo ministro para acompanhar a extração de dados e a perícia dos materiais sob custódia da Procuradoria-Geral da República (PGR). A determinação prevê que os profissionais tenham acesso integral ao material apreendido, com acompanhamento da PGR durante os trabalhos.

Nomeação direta e reação interna

A escolha dos peritos ocorreu a partir de recomendações encaminhadas diretamente ao gabinete do ministro. Investigadores da Polícia Federal afirmaram ter tomado conhecimento da designação apenas por meio da imprensa, o que causou surpresa dentro da corporação.

Apesar da forma como a decisão foi tomada, os peritos indicados são reconhecidos internamente como profissionais experientes e tecnicamente qualificados, segundo avaliações de colegas da PF.

Mudanças de decisão em curto intervalo

A nomeação dos peritos ocorreu um dia após Toffoli ter determinado que todo o material apreendido fosse lacrado e mantido sob custódia do STF, restringindo o acesso inicial às provas. A decisão gerou preocupação entre investigadores, que defendiam o início imediato da análise técnica para evitar riscos à integridade das provas.

Havia receio de que dispositivos eletrônicos pudessem ser acessados remotamente ou que informações relevantes fossem perdidas caso a perícia não fosse iniciada rapidamente. Também foram levantadas dúvidas internas sobre a estrutura técnica do STF para conduzir esse tipo de análise.

Recuo após manifestação da PF e da PGR

Diante das preocupações, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, solicitou formalmente a reconsideração da decisão, alertando para o risco de prejuízo à investigação. Poucas horas depois, atendendo a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o ministro recuou parcialmente.

Com a nova determinação, o material apreendido passou a ser encaminhado à PGR, que ficou responsável pela extração e análise técnica das provas, com apoio dos peritos designados.

O caso segue sob acompanhamento do STF e permanece em sigilo, devido à sensibilidade das informações e aos possíveis impactos institucionais.